Morar e estudar fora

11 habilidades de uma vida viajante para colocar no seu CV

Você também leva uma vida de viajante? Seja morando fora do país ou só viajando esporadicamente, essa lista pode te ajudar a montar seu currículo!

Já ouviu falar naquela frase que diz “Viajar é a única coisa que se compra que te torna mais rico”? Eu não poderia concordar mais.

Faz um tempo, eu percebi que a vida que eu vejo pra mim não me permite estar sempre no mesmo lugar. Eu gosto da sensação de algo novo todo dia, dos desafios e dos perrengues. No caso, a profissão que escolhi me permitiu fazer certas escolhas que têm sempre me levado pra novos lugares. Com isso, tenho percebido o quanto meu estilo de vida viajante por si só tem me tornado uma profissional cada vez mais qualificada.

Lógico que nada substitui experiência de fato na sua área, mas há habilidades que você não desenvolve sentada na sua mesa de escritório, muito menos no sofá da sua cada.

Por isso, resolvi fazer uma lista pra te mostrar que viagem não é só lazer, mas um processo de transformação no qual você é submetido toda vez que embarca – seja no avião, carro, ônibus, à pé ou de jegue. Pode ir pro outro lado do mundo ou pro bairro vizinho, o processo de viver algo diferente não vai te ajudar somente como pessoa, mas também como profissional.

 

 

1- Tomada de decisões

Quando você viaja, especialmente sozinho, você se torna o único responsável por tomar as decisões que vão definir o rumo do seu roteiro e das histórias que vai levar da viagem. Você se vê inúmeras vezes numa situação complicada que terá que usar seu julgamento para decidir se aquilo é confiável, se vale a pena, se vai se arrepender. Quando se está no comando do planejamento da viagem, a última palavra é sua, mesmo que consulte outras opiniões. O único que vai se beneficiar ou se prejudicar com as decisões é você, então tem que confiar no seu taco! Desenvolver essa habilidade te torna muito mais sensível para detectar furadas e oportunidades, o que pode te tornar um profissional capaz de trabalhar de forma independente e assertiva.

2- Auto-conhecimento e confiança

Para mim, os momentos em que eu estava viajando, foi onde pude descobrir mais sobre mim mesma. Se afastar da rotina, passar um tempo off de internet, conectar-se com seus mais profundos pensamentos, ser capaz de se questionar, descobrir novo gostos e reparar no que é mais valioso em sua vida. Isso te torna uma pessoa confiante, que é ciente de seus próprios pontos fracos e fortes e pode trabalhar de maneira a sempre usá-los a seu favor.

3- Como socializar e “pitch yourself”

A arte do networking chega a ser fácil para quem é viajante. Todo dia conhecemos gente nova e temos que nos apresentar pelo menos umas 10 vezes. Isso faz com que tenhamos uma certa narrativa para nos descrever e nos apresentar ao mundo. O famoso “pitch” nada mais é que um discurso de venda, que às vezes pode se aplicar à sua própria “venda”, ou seja, um discurso rápido que seja capaz de resumir o que há de mais essencial em você (dependendo, é claro, do tipo de informação que você quer comunicar). Da mesma forma que você elabora um “pitch pessoal” (ou “elevator pitch” em inglês) mais informal para se apresentar a pessoas no bar do hostel, você será capaz de elaborar um para se apresentar em ambientes profissionais. Fora a arte de socializar em si que já é um super treinamento para não ter vergonha de abordar ninguém, não importa a posição na cadeia de poder da empresa.

4- Controle de orçamento

Eu já viajei para Paris gastando apenas 30 euros em uma semana. Ninguém acredita quando eu digo isso, mas minha viagem tinha um orçamento extremamente apertado e eu trabalhei com o que tinha. Felizmente o hostel tinha um café bem satisfatório e minha  fruta sempre sobrava pra mais tarde. Éramos um grupo de 10. Compramos comida para a semana toda e todos os dias comíamos 2 sanduíches cada e um prato de macarronada à noite. Andávamos mais de 10km por dia para não usar o metrô, subimos a torre Eiffel e o Arco do Triunfo de escada para não pagar. Eu tinha tudo anotado em relação aos meus gastos e sabia exatamente como e onde estava gastando meu dinheiro. Como isso me ajuda profissionalmente? Às vezes você vai se ver numa situação em que é esperado de você um grande resultado com um orçamento um tanto baixo e você vai ter que tirar leite de pedra. Vai aprender o que é essencial e o que não é na hora de gastar o dinheiro da empresa. E se você fizer o esperado, com capricho e com menos que o orçamento previa: prepare-se para ser amado. Cada centavo conta!

5- Logística e gestão de tempo

Você tem um dia para conhecer uma cidade e sabe que, apesar de possível, precisa se organizar de maneira que tudo se encaixe no seu roteiro. Acordar cedo para aproveitar o dia, decidir quem toma banho primeiro para não ter atraso, saber exatamente como se deslocar, que atrações se consegue fazer andando, comprar tickets online para evitar filas, decidir a melhor ordem para visitar aqueles lugares e claro, terminar as atividades antes do dia escurecer porque as atrações fecham. Quantas vezes vocês já não passaram por algo parecido? Isso requer que você seja pragmático, organizado, prático e saiba gerir muito bem o tempo que tem em suas mãos.

6- Negociação

Quem nunca barganhou e pediu um desconto nas lembrancinhas de viagem? Confesso que depois que morei na Índia, aprendi que em alguns lugares se você não barganhar, acaba pagando 2, 3, 4 ou até 10x mais o valor real do produto! Chega a ser inacreditável! Vou aqui sugerir o link do meu amigo O Cosmopolita que fez um tutorial de como barganhar na Ásia . Saber identificar as oportunidades de negociação e ter um método para convencer o outro a aceitar sua proposta são características que agradam os recrutadores!

7- Resolução de problemas

Parecido com o primeiro tópico (tomada decisões), mas um pouco mais complicado. A tomada de decisões pode acontecer em uma situação em que você tem tempo para pesar as escolhas e decidir de maneira sensata. Ser um bom problem-solver porém, requer agilidade e criatividade para transformar situações ruins em algo pelo menos um tiquinho melhor. Na Albânia eu precisava ir de Tirana para Vlore, já tinha meu hotel reservado, mas todos os ônibus até Vlore estavam em greve. A tomada de decisão me ajudou a eliminar as opções: a)ficar mais uma noite em Tirana e b)pular Vlore e ir direto para Saranda – como eu já tinha pago o hotel, não quis perder aquele dinheiro. Então meu problem-solving entrou em prática ao identificar outros estrangeiros na rodoviária na mesma situação e descobrir que poderia dividir um táxi para a outra cidade num valor não muito mais caro que seria pagar diárias extras de hostel. Pensar fora da caixa é essencial: ninguém nunca ia pensar que um táxi seria uma boa opção, já que eram 5 horas de viagem, mas o lekh é bem desvalorizado e o turismo na Albânia, por não ser tão desenvolvido, depende de uns quebra-galhos como essa opção. Tudo isso num intervalo de 40 min. Você tem a opção: a) ficar desesperado, b) ser racional e resolver o problema. Adivinha qual delas você pode colocar no currículo?

8- Aprimorar novas línguas

Aprender línguas numa sala de aula sempre é uma boa ideia, mas você nunca domina completamente uma língua sem uma completa imersão. Viajar faz você aprender a língua através dos locais no contexto da cultura deles! Ou você também pode fazer amigos pelo caminho que falem uma língua que você queira praticar e vão te dar mais motivação para aprimorar o idioma. Estudei francês por 7 anos e me sinto muito enferrujada, mas é só passar um fim de semana na França que eu já saio falando um monte de coisa que nem lembrava mais ter aprendido! No seu ambiente de trabalho, isso pode ser extremamente útil para se comunicar com parceiros internacionais e mostrar que você tem o compromisso e vontade de aprender aquela língua para que a relação das empresas seja mais real e humana. Já fui designada a certas tarefas que não eram da minha competência porque eu tinha um conhecimento maior em uma certa língua estrangeira. Quanto mais se sabe, mais portas vão se abrindo para você!

9- Adaptação

Morar num país vegetariano, viver num estado “seco” (onde o álcool não é permitido), jantar às 17h, jantar às 23h, almoçar sanduíche, bater um prato feito no almoço, aprender a lidar com a chuva todos os dias e ignorá-la, cumprimentar com 3 beijinhos ao invés de 1, não dar nenhum beijinho, só aquele semi-abraço meio de lado, aprender a dormir num calor de 50 graus sem ar condicionado, comer carne de lhama, fazer cocô ao céu aberto, se limpar depois do cocô sem papel higiênico, dormir na rede, dormir no chão, comer com as mãos, andar de bicicleta, andar de tuktuk, comer comida com pimenta, comer comida sem gosto, dirigir do lado esquerdo da rua, vestir um saari, usar um hijab. Não consigo nem terminar a lista de situações às quais tive que me adaptar. E sabe de uma coisa? Isso só mostra como quem tá aí colocando a cara à tapa e viajando o mundo está preparado para QUALQUER desafio que a vida colocar no caminho. Aprender a se adaptar ao invés de reclamar é algo que você deve colocar no currículo, mas também manter em mente todos os dias da sua vida.

10- Tolerância e respeito

Conhecer novos lugares e pessoas diferentes faz com que você conheça o outro lado da moeda, a história que não é contada, a perspectiva do outro. Você acha que o hijab oprime mulheres? Já conversou com uma mulher muçulmana que se sente empoderada pelo hijab? Você acha que o casamento arranjado é a pior coisa que pode acontecer com um ser humano? Você já conversou com um casal indiano que é orgulhoso do seu casamento arranjado e que o sinônimo de fracasso seria o “casamento ocidental” que, na visão dele, é individualista e nada persistente? Você acha que o imigrante tem que voltar pro país de onde ele veio? Já conversou com um refugiado que fugiu da guerra e não sabe nem se vai ver sua família novamente? APRENDA. ESCUTE. ACEITE. RESPEITE. O mundo é muito plural e a gente tem que se esforçar para entender mais sobre o que é diferente. Muitos ambientes de trabalho internacionais vão exigir que você seja um profissional consciente dessas diferenças culturais, emprego nenhum vai te treinar para isso, você já tem que chegar sabendo. Respeito se aprende em casa (e viajando!).

11- Maturidade emocional e resiliência

Ficar longe de casa, longe das pessoas que ama, da comida que gosta, do tempo que está acostumado não é fácil. Viajar traz muitas emoções à tona e você tem que aprender a lidar com elas sozinho. Não tem como você sucumbir e chorar no colo da mãe. Ficar triste, ansioso, eufórico, com raiva viajando é totalmente normal. O importante é saber dar a volta por cima, entender seus sentimentos, criar uma rede de apoio (nem que seja um amigo pelo whatsapp, ou um grupo de expatriados no país onde mora) e aprender a curar a alma. Ser resiliente e saber controlar emoções também será útil no ambiente de trabalho. Que atire a primeira pedra quem nunca foi no banheiro da escola/trabalho para chorar. Mas a vida adulta, num geral, exige que a gente se recomponha e aceite o que não dá pra ser mudado. Errou feio? Abrace o erro, aprenda com ele, perdoe a si mesmo e faça melhor da próxima vez. Use o fracasso para te reerguer!

Espero que esse post te faça refletir sobre suas experiências como viajante e nas mudanças que esse estilo de vida tem trazido à você!

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Atenção! Esse post é pra colocar com hyper link no seu CV. Aposto que vão pelo menos te chamar pra uma entrevista depois de ler isso aqui.

10 thoughts on “11 habilidades de uma vida viajante para colocar no seu CV”

  1. Eu devo dizer que me identifiquei bastante com este post. As experiências que tive nos mais de 20 países visitados me fizeram ter resultados de transformação que, ao retornar ao Brasil, pude reencontrá-los de uma maneira fenomenal; sem contar que essas experiências mutacionais e adaptativas prosseguem ocorrendo em grau maior que antes do intercâmbio.

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